27 de setembro

Impactos causados na mídia offline pela explosão das redes e mídias sociais

As redes e mídias sociais estão na moda por aqui. Isso é um fato. A imprensa aborda cada vez mais o assunto, como se ela própria estivesse buscando se fundamentar no sentido de não deixar a peteca cair.

Em 2006 eu fui á um congresso em Juiz de Fora cujo tema era “Comunicação Digital”. Nessa época já se falava na mudança de postura que os jornais deveriam ter para sobreviver às transformações e conquistar o público jovem.

O tempo passou, os jornais passaram a investir em Internet com seus Portais de notícia e foram descobrindo de maneira autodidata a manejar o novo veículo de comunicação. Isso funcionou bem em São Paulo e no Rio, mas em lugares onde o mercado era mais carente as coisas aconteceram e ainda acontecem de maneira mais lenta. Os erros são gritantes, e quando eu falo erro, não me refiro aos de português (outra problemática da comunicação em tempo real), mas sim a estrutura dos próprios portais e a dificuldade que tiveram (principalmente aqui no RN meu campo de atuação) de perceber que uma redação online funciona em um ritmo completamente diferente de uma offline.

Depois veio a problemática dos profissionais, que não estavam preparados para exercer a função como deveriam. É fato que por aqui não existem cursos específicos e que a disciplina ministrada na UFRN não aborda nada do que a comunicação digital atual oferece. Mas eu fico me perguntando se o erro maior está nas administrações dos próprios jornais em delegar a função a colaboradores não qualificados ou se está no próprio colaborador, que sabe que não está preparando e mesmo assim assume o risco.

Os primeiros portais da Tribuna e do Diário brigavam pra ver quem ganhava nos quesitos navegabilidade ruim, design péssimo e desatualização de conteúdo. Era uma palhaçada tentar clipar uma matéria ou notícia online. Até que o Nominuto veio e deu um banho de cobertura, navegabilidade e limpeza de layout. Então, os concorrentes passaram a correr atrás do prejuízo. Melhoraram os layouts e até a navegabilidade, influenciados pelos grandes portais como o G1, e agora tentam uma integração com as redes sociais. Especificamente o Twitter.

Na verdade eles nem sabem o porquê disso. Certamente não existe planejamento ou relatório de resultados. Muito menos sabem que essa é apenas uma etapa do que podemos classificar como presença digital e que se ela não for feita de maneira correta pode trazer danos irreparáveis.

Não podemos prever a vida útil do Twitter, mas uma coisa é certa. Com a velocidade com que as coisas mudam na Internet, ele logo será substituído por outra rede. E quem não estiver preparado para o que vem por aí, vai ficar mais perdido do que cego em tiroteio.

A Internet não pode ser tratada apenas como um veículo alternativo. Seu potencial e os próprios canais que ela abrange vão muito além disso.

É preciso, também, entender a mudança de comportamento do consumidor para poder saciar as suas novas necessidades.

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