A entrevista de hoje é com o Jairo Thé. Formando em Publicidade, iniciou estagiando no departamento de mídia na agência Gruponove (PE) e depois foi se especializar em Internet em projetos temporários. Trabalha com mídia online há 1 ano e meio e atualmente sustenta um projeto de um “bureau” de mídia online, onde atende alguns clientes, como o site de compras coletivas Regateio, primeiro com sede no Nordeste.
Conversei com ele para conhecer um pouco mais sobre o mercado de publicidade online. Como é feita, mensurada e… Principalmente como se dá no Brasil.
@linnefernandes – A publicidade online é vista atualmente como parte do processo de presença digital das empresas. De que maneira as empresas estão tirando proveito disso, atualmente?
@byjairothe – É verdade que a publicidade online é vista como parte integrante de um processo de presença digital, mas pelos profissionais e não pelas empresas. A cultura digital ainda não possui seu real valor, sua real importância dentro dos ambientes corporativos. As empresas que estão apostando (e ganhando muito) no digital se destacam porque tudo é novo e ainda há um leque enorme de idéias que podem ser realizadas. Um bom exemplo disso são as inúmeraspossibilidades que podemos extrair de um serviço de geolocalização.
@alinnefernandes – Os anúncios online podem ser feitos desde sites de busca, até redes e mídias sociais. Quando um cliente te procura, que critérios você utiliza para escolher os locais mais apropriados para destinar a verba que ele deseja investir?
@byjairothe – Os critérios são baseados de acordo com os objetivos de comunicação estabelecidos pelos briefing. Clientes que possuam nichos específicos de atuação podem trabalhar com a rede de pesquisa e sites verticais. Já os clientes com um leque de produtos variáveis terá maior retorno com um investimento mais massivo na rede de parceiros. Mas nada nesse processo é engessado, cada novo cliente é um novo ambiente e podemos explorar várias possibilidades de posicionamento.
@alinnefernandes – Os anúncios em redes e mídias sociais podem ser vistos como realidade no Brasil ou ainda estamos engatinhando? Cite exemplos.
@byjairothe – O investimento para compra de espaços de destaque e sem randomização nas redes sociais ainda é considerado bastante elevado para o mercado brasileiro, que ainda não integrou a consciência do digital em suas estratégias de comunicação. Poucas marcas brasileiras já figuraram entre os Tópicos Populares (pagos) do Twitter, um custo de $ 100k dólares pelo dia de exposição. Acho que a única rede que usufrui bem de seu modelo de publicidade é o Facebook, que utiliza o mesmo padrão de veiculação do Google (nada se cria, tudo se copia).
@alinnefernandes – Você poderia citar um case de publicidade online que te chamou atenção e gerou um resultado bastante interessante para o cliente?
@byjairothe – A agência Bendita (RJ) tem um case, em minha opinião, que explora muito bem a criatividade que pode ser explorada na mídia online. A agência criou e condicionou um banco de palavras relacionadas a cada um dos pecados (avareza, luxúria, gula, inveja, ira, preguiça e vaidade). Ao fazer a busca por uma destas palavras, o resultado da pesquisa apresentava um link patrocinado com uma mensagem característica à palavra buscada, ao pecado correspondente e a estréia da novela. O fator relevante é que, além da originalidade na exposição e conteúdo do resultado da busca, a mensagem já apresentava todas as informações necessárias ao objetivo do marketing do cliente de forma gratuita, já que o pagamento da ação era feito mediante o clique.
Para mais detalhes: http://www.abendita.com.br/cases/ccrj2007/globo-7pecados-google.html
@alinnefernandes - Tem algum case próprio que gostaria de citar? Como se deu o desenvolvimento da campanha e quais os resultados alcançados?
@byjairothe – Em um projeto paralelo que trabalhei junto com uma agência, realizamos um planejamento para um cliente de pequeno porte, que foi bem interessante. A marca trabalha com serviços de aluguel de roupa em Brasília, e nossa campanha funcionava no mesmo período em que a loja estava aberta. O que acontecia alguns dias é que devido ao orçamento ser limitado, a veiculação dos anúncios acabava antes do período que determinamos. O mais interessante é que a empresa relatava a gente que em dado momento do dia, eles paravam de receber um grande volume de ligações e pudemos perceber que era justamente quando os anúncios paravam de ser veiculados. Um case pequeno, de uma empresa pequena, mas que mostra a força desse mercado em impulsionar vendas.
@alinnefernandes – Em mercados maiores, sabemos que já existe a demanda vinda do cliente para anunciar. Mas em mercados emergentes, como abordar e despertar o cliente para a importância de tal investimento?
@byjairothe – Um dos fatores que mais atraem novos clientes é a possibilidade de investimento variável. Tanto no valor quanto na veiculação programável. Poder “congelar” uma campanha, ou poder diminuir o valor da verba, poder aumentar o valor da verba. Esses são pontos que atraem marcas e empresas para esse mercado. Outro ponto extremamente valorizado é a possibilidade de se acompanhar as conversões (quando um anúncio gera uma ação desejada) e saber o quanto está custando essas conversões, que podem ser vendas por exemplo. No geral, o mercado brasileiro é dividido em dois ambientes, um extremamente agressivo (menor parte) e um pouco explorado (a maior parte). Diferente de mercados como o norte-americano, encontramos diversos ambientes de baixo custo e altamente rentáveis para os negócios e entregar esse sentido de urgência na adoção desse mercado também é uma forma de despertar o interesse de um prospect.
@alinnefernandes – Como se dá o monitoramento de investimento relacionado à publicidade online em geral? De que maneira os dados são apresentados ao cliente?
@byjairothe – A medição do retorno sobre o investimento na Internet se dá de maneira mais exata, quando comparada com a mídia tradicional. É possível rastrear o usuário e seu histórico de navegação. Sendo possível, por exemplo, determinar que aquele usuário que foi levado ao seu website clicou em um de seus anúncios e ainda executou uma ação desejada (cadastro, compra, download, etc.), gerando uma Conversão. A partir disso, podemos analisar quanto está custando o Clique por Conversão e medir, de forma mais assertiva, o retorno daquele investimento. É uma das principais vantagens desse espaço midiático, quando comparado com televisão, rádio e outros.
@alinnefernandes – Hoje tudo pode ser manipulado. No Twitter, por exemplo, nós percebemos os links de TT Patrocinados e identificados como tal e também temos a publicidade indireta. Ou seja, perfis pagos para tuitar sobre determinadas campanhas que acabam influenciando na entrada do assunto para os TTs. Uma empresa especializada nisso é a boo-box. Você também trabalha dessa forma ou essa é uma área mais específica. Que importância você atribui a essa metodologia, já que muitos reclamam do #ad como floodagem?
@byjairothe – É uma forma de utilizar a rede como mídia tradicional. O principal objetivo de quem trabalha com o universo midiático é de sempre descobrir novas formas de exposição. E apesar de alguns usuários reclamarem, outros já preferem a identificação do anúncio, mostrando ao público exposto que aquilo foi pago, por isso ele está divulgando. O perfil do blog @naosalvo, por exemplo, teve uma postagem identificada com o “#ad” que gerou para o cliente 21.000 acessos derivados apenas da postagem dele no Twitter. Acredito que o público que tem acesso a Internet já possua a consciência de que é necessário sobreviver, de monetizar algumas partes para manter o conteúdo de forma gratuita pra ele.
Estão comentando . . .
Parabéns Aline e Jairo pela entrevista, os pontos abordados são bastante pertinentes e o Jairo está bem gabaritado para falar sobre esse universo de advertising.
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